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AVC em jovens preocupa cardiologista: casos já surgem

aos 20 anos em São Tomé e Príncipe

São Tomé, 30 de de Outubro 2026 -  Hipertensão atinge 30,6% dos adultos e aumenta risco de AVC no país Sal, caldos e falta de controlo da tensão disparam casos de AVC - alerta Miriam Cassandra.

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) constitui uma preocupação crescente para a saúde pública em São Tomé e Príncipe, num contexto marcado pelo aumento das doenças não transmissíveis e pelas limitações no acompanhamento dos doentes.

O alerta foi lançado esta quinta-feira pela médica cardiologista e coordenadora do Programa das Doenças Não Transmissíveis, Miriam Cassandra, em entrevista à Rádio Nacional, por ocasião do Dia Mundial do AVC, assinalado a 29 de outubro. Segundo a especialista, o que mais preocupa atualmente é o aparecimento da doença em pessoas cada vez mais jovens.

Se antes o AVC estava associado sobretudo à população idosa, hoje são registados casos em pessoas com 40, 30 e até 20 anos. A cardiologista aponta a hipertensão arterial, a diabetes, o colesterol elevado, a obesidade, o sedentarismo e a má alimentação como os principais fatores de risco.

Chamou particular atenção para o consumo excessivo de sal e o uso frequente de caldos concentrados na confecção dos alimentos, práticas que agravam a hipertensão. Um dos maiores perigos, sublinhou, é o facto de a hipertensão poder evoluir durante anos sem sintomas visíveis, levando muitas pessoas a só descobrirem a doença quando já sofrem complicações graves como o AVC.

Os números oficiais reforçam a dimensão do problema. De acordo com o Plano Estratégico Multissetorial para as Doenças Não Transmissíveis 2026-2030, apresentado pelo Governo com apoio da OMS, a hipertensão arterial afeta cerca de 30,6% da população adulta santomense, sendo uma das principais causas de internamento e mortalidade no país.

Perante este cenário, Miriam Cassandra defende o controlo rigoroso da tensão arterial, o cumprimento da medicação e a adoção de hábitos de vida saudáveis, combatendo a ideia de que o tratamento prolongado cria dependência.

O Dia Mundial do AVC, criado em 2006 pela World Stroke Organization, visa alertar para a gravidade da doença, a importância do atendimento rápido e o papel dos profissionais de saúde e da comunicação social na prevenção.

Por: João Soares

 

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