“Um Encontro que
Atravessa
Mares e Montanhas”

18.03.2026 - Reflexão
por ocasião da
implementação integral
de Tarifa Zero e do
lançamento do Ano
China-África de
Intercâmbio entre os
Povos”
por : Xu Yingzhen
Embaixadora da China em
São Tomé e Príncipe
Em 17 de março de 2026,
a Embaixadora da China,
Sra. Xu Yingzhen,
publicou em Téla Nón,
RSTP e Jornal Tropical,
o artigo intitulado “Um
Encontro que Atravessa
Mares e Montanhas ——
Reflexão por ocasião da
implementação integral
de Tarifa Zero e do
lançamento do Ano
China-África de
Intercâmbio entre os
Povos”. Veja o texto na
íntegra:
Em 14 de fevereiro, na
mensagem de felicitações
ao Presidente em
exercício da União
Africana (UA) e
Presidente de Angola,
João Lourenço, bem como
ao Presidente da
Comissão da UA, Mahmoud
Ali Youssouf pela 39ª
Cúpula da UA, S.E. Xi
Jinping, presidente da
República Popular da
China, anunciou que a
China implementará
integralmente, a partir
de 1 de maio de 2026, a
política de Tarifa Zero
para todos os 53 países
africanos que têm
relações diplomáticas
com a China, o que
implica um compromisso
solene que marca um novo
ponto de partida na
história das relações
China-África.
Não é apenas uma firme
promessa da China de
ampliar a sua abertura
de alto nível ao
exterior, mas também um
retrato vivo de como a
China e a África
caminham lado a lado
rumo à modernização,
partilhando benefícios.
No âmbito económico e
comercial, a
implementação integral
da política de tarifa
zero para a África
baixará
significativamente o
limiar de entrada dos
seus produtos no mercado
chinês, diminuindo os
custos de exportação,
aumentando a presença
dos seus produtos no
mercado chinês, o que
libertará o potencial do
comércio África-China,
estimulará a capacidade
endógena de
desenvolvimento
africano, reforçará a
dinâmica da nossa
cooperação económica e
comercial e promoverá a
evolução da parceria
para uma cooperação
industrial mais
profunda.
No âmbito político, a
política de tarifa zero
é uma importante medida
tarifária benéfica que a
China adota de forma
unilateral, tendo em
conta a conjuntura
internacional e as
necessidades reais da
África, o que constitui
uma prova convincente
dos esforços concretos
da China para promover a
construção de uma
comunidade China-África
com um futuro
compartilhado para todas
as condições na nova
era.
No âmbito social, a
política de tarifa zero
permitirá dos produtos
africanos com vantagens
competitivas a entrada
ao mercado chinês. Como
estes setores económicos
estão intimamente
ligados ao emprego e aos
meios de subsistência
das populações
africanas, beneficiará
diretamente a expansão
das exportações,
aumentando o emprego e
melhorando as condições
de vida, impulsionando
assim o processo de
redução da pobreza em
África e proporcionando
aos povos africanos uma
percepção tangível dos
benefícios da amizade
sino-africana.
Bem como um antigo
provérbio chinês diz, o
caminho pode ser difícil
quando se trabalha
sozinho, mas as coisas
se tornam mais fáceis
quando as pessoas
trabalham juntas. No
contexto atual de
ressurgimento do
protecionismo comercial
global e de estagnação
da globalização, esta
medida preferencial
unilateral sem
precedentes por parte
chinesa demonstra a sua
determinação em abrir os
braços aos irmãos
africanos e partilhar
com eles os frutos da
modernização. A abertura
alargada da China aos
países africanos
reflete-se
principalmente em três
aspetos:
Em primeiro lugar, o
aperfeiçoamento do
mecanismo de via verde
para produtos agrícolas
africanos, que,
paralelamente à
implementação da tarifa
zero, visa aumentar a
eficiência alfandegária
e reduzir os custos
logísticos em termos de
tempo. No futuro,
produtos agrícolas como
o cacau e o café de São
Tomé e Príncipe poderão
chegar às famílias
chinesas num período
mais curto e a um custo
mais baixo, fortalecendo
a competitividade dos
produtos e beneficiando
os setores relevantes.
Em segundo lugar, a
China continua a
promover a negociação e
assinatura de Acordos de
Parceria Económica para
o Desenvolvimento Comum.
Não nos interessa apenas
comprar e vender
mercadorias, mas sim,
com base nas
preferências tarifárias,
adicionar cooperação em
investimento e
transferência de
tecnologia, ajudando os
países africanos a
construir um quadro de
cooperação
económico-comercial mais
estável e sustentável.
Em terceiro lugar, a
política de tarifa zero
aplica-se a produtos que
cumpram as regras de
origem, o que
incentivará os países
africanos a
desenvolverem o
processamento e a
fabricação local.
Acreditamos que, num
futuro próximo, mais
produtos de elevado
valor acrescentado
entrarão no mercado
chinês com a marca
“Fabricado em África”.
Os laços entre a China e
África não se refletem
apenas nos dados
crescentes do comércio,
mas também estão
gravados na compreensão,
no respeito e na amizade
entre os seus povos. O
ano de 2026 assinala não
só o 70º aniversário do
estabelecimento das
relações diplomáticas
entre a China e países
africanos, mas também o
“Ano China-África de
Intercâmbio entre os
Povos“, conjuntamente
designado por ambas as
partes.
Ao longo do ano inteiro,
organizaremos juntos
cerca de 600 atividades
culturais sob o lema
“Consolidar a amizade
para todas as condições
e perseguir juntos o
sonho da modernização”,
atividades que envolvem
forças juvenis,
culturais, mediáticas,
entre outras, e cobrem
todos os domínios do
intercâmbio
sino-africano.
O facto de a China e a
África apostarem nos
laços humanos e
culturais para forjar
consensos estratégicos
constitui não só a
melhor homenagem a sete
décadas de percurso de
amizade, mas também
demonstra ao mundo que
diferentes civilizações
podem perfeitamente
superar barreiras e
tratar-se com igualdade.
Num momento em que se
aceleram as mudanças
nunca vistas num século,
é particularmente
profundo o significado
desta opção.
O intercâmbio cultural
sino-santomense já criou
raízes sólidas. No ano
passado, a Embaixada da
China organizou uma
série de atividades de
intercâmbio cultural,
incluindo mostras de
filmes, eventos
recreativos e um desfile
de moda de Qipao (traje
chinês).
As equipas de peritos
chineses promoveram
múltiplas cooperações
práticas, acumulando,
através destes contactos
quotidianos, a confiança
e o entendimento entre
os dois povos.No âmbito
do ano China-África de
Intercâmbio entre os
Povos, o intercâmbio
cultural sino-santomense
será ainda mais
aprofundado.
A parte chinesa
proporcionará
plataformas de diálogo
para que os dois povos,
especialmente a camada
jovem, possam consolidar
a sua amizade,
promovendo um maior
conhecimento e
aproximação mútuos
através do intercâmbio e
da partilha. Mais obras
cinematográficas
chinesas serão
disponibilizadas em São
Tomé e Príncipe, e
diversas atividades de
experiências culturais
permitirão que o povo
santomense tenha um
contacto direto com o
estilo chinês.
Os médicos chineses
continuarão a realizar
consultas gratuitas em
todos os distritos do
país, e os especialistas
da equipa agrotécnica
continuarão a
deslocar-se ao campo
para ensinar técnicas
práticas aos
agricultores. Estas
medidas estão a injetar
mais impulso no
desenvolvimento estável
e duradouro das relações
bilaterais.
Como o presidente Xi
Jinping diz, as
civilizações tornam-se
mais coloridas através
do intercâmbio e mais
ricas através da
aprendizagem mútua. A
história da cooperação
entre a China e São Tomé
e Príncipe é
precisamente um exemplo
vivo do intercâmbio
cultural sino-africano,
o qual promove
compreensão em vez de
erguer muros, ajuda a
realizar-se em vez de
isolar-se. É esta
nutrição mútua,
silenciosa como a chuva
que fecunda a terra, que
permite à amizade
sino-africana atravessar
as vicissitudes do tempo
e permanecer sempre
renovada.
Trata-se de um encontro
que transcende oceanos:
a tarifa zero permite
que os produtos
africanos entrem na
China, e o intercâmbio
cultural aproxima os
povos chinês e africano,
promovendo o
conhecimento recíproco.
Num mundo marcado por
incertezas, os povos
chinês e africano, ao
apostar mais uma vez em
unir as nossas forças,
vamos fazer
contribuições
inestimáveis para o
desenvolvimento e o
progresso da humanidade.
