Banco Mundial corta
previsão de crescimento dos
PALOP excepto Angola e
Guiné-Bissau

15.01.2026 - O Banco
Mundial reviu em baixa a
previsão de crescimento
económico para todos os
Países Africanos de
Língua Oficial
Portuguesa (PALOP) este
ano, à excepção de
Guiné-Bissau e Angola,
que mantêm crescimentos
de 5,2% e 2,6%.No
relatório sobre as
Perspetivas Económicas
Globais, hoje divulgado
em Washington, os
economistas do Banco
Mundial referem do lado
positivo que as
condições de
financiamento começaram
a melhorar, com várias
economias, incluindo
Angola, República do
Congo, Quénia e Nigéria,
a recuperar o acesso aos
mercados de capitais
internacionais.
Em 2025, "Angola, apesar
dos ganhos nos setores
não petrolíferos, a
fraqueza do setor
petrolífero pesou sobre
a produção", escrevem.
O crescimento económico
do segundo maior
produtor de petróleo na
região, a seguir à
Nigéria, foi
"prejudicado pelos
preços mais baixos do
petróleo em relação ao
ano anterior, pelo
subinvestimento no setor
e pelo impacto negativo
do envelhecimento dos
campos petrolíferos",
escrevem os economistas
numa das poucas
referências aos países
lusófonos no capítulo
sobre a África
subsaariana.
Este ano, olhando para a
tabela que apresenta as
previsões do Banco
Mundial de crescimento
económico para os países
da região, constata-se
que dos países lusófonos
apenas Angola mantém a
estimativa feita em
junho, de 2,6%, e uma
melhoria para 2,8% em
2027, abaixo da média
regional de 4,3% este
ano e de 4,5% em
2027.Cabo Verde deverá
crescer 5,2% este ano e
5% em 2027, o que
representa uma queda de
0,1 pontos face às
previsões de junho,
enquanto a Guiné
Equatorial deverá cresce
0,4% este ano e 1% em
2027, o que revela uma
queda 0,2 pontos para
este ano face à previsão
de junho, mas uma
melhoria de 2,1 pontos
relativa a 2027.
A Guiné-Bissau deverá
registar um crescimento
de 5,2% neste e no
próximo ano, sem
alteração face às
previsões de junho,
enquanto Moçambique
deverá acelerar para
2,8% este ano (menos 0,7
pontos que a previsão de
junho) e 3,5 no próximo
ano, depois de um
abrandamento para 1,1%
no ano passado devido à
"persistente fraqueza do
investimento, crescente
escassez de divisas e
pelos efeitos da
agitação pós-eleitoral".São
Tomé e Príncipe cresce
4% e 3,5% neste e no
próximo ano, o que
representa uma revisão
em baixa de 0,6 e 0,8
pontos percentuais,
respetivamente.
"Apesar da melhoria da
perspetiva de evolução
económica da região, os
ganhos no rendimento per
capita vão continuar
inadequados para um
progresso significativo
na pobreza e no aumento
da criação de emprego",
escrevem os economistas
do Banco Mundial nas
Perspetivas Económicas
Globais, hoje divulgadas
em Washington.
No capítulo dedicado à
África subsaariana, o
Banco Mundial diz que
"os riscos relativos às
previsões continuam a
ser descendentes",
incluindo uma redução da
procura externa, preços
mais baixos das
matérias-primas, aumento
da instabilidade
política regional e uma
deterioração dos
conflitos em curso na
região, para além da
questão do apoio
financeiros dos doadores
externos, que, a
reduzir-se ainda mais,
"aumentará a
vulnerabilidade das
economias da região a
choques de saúde e a
desastres naturais".
No documento, o Banco
Mundial melhora
ligeiramente a previsão
para o crescimento de
2025 na África
subsaariana face ao que
tinha estimado em junho,
melhorando de 3,7% para
4% a expansão económica
para a região que
engloba a maioria dos
países lusófonos,
principalmente devido à
redução da inflação, ao
aumento dos preços das
matérias-primas,
nomeadamente o ouro, mas
alerta que a média
esconde realidades muito
diferentes nos países,
com metade a acelerarem
o crescimento e a outra
metade a abrandar a
expansão económica.
Entre principais
preocupações dos
economistas do Banco
Mundial na região está a
insegurança alimentar,
os elevados montantes de
dívida e os
persistentemente
elevados níveis de
pobreza.
Inforpress/Lusa
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