Sede
na
terra
da
água:
Escassez
provoca
corrida
a
chafarizes
em
quase
todo
São
Tomé

São
Tomé,
20
de
Setembrode
2026
-
Crise
atinge
quase
todas
as
localidades.
Especialistas
defendem
dessalinização,
aproveitamento
de
rios
e
armazenamento
de
água
da
chuva
como
soluções
urgentes.
A
falta
de
água
potável
nas
torneiras
tornou-se
no
principal
drama
diário
de
milhares
de
famílias
em
São
Tomé.
Em
quase
todas
as
localidades
da
ilha,
da
capital
aos
distritos
mais
recônditos,
a
escassez
de
água
está
a
provocar
cenas
de
multidão
em
volta
dos
poucos
chafarizes
que
ainda
jorram.
No
localidade
da
Boa
Morte,
em
Pantufo,
em
Almeirim,
Bobô-Forro
e em
Água-Grande,
o
cenário
repete-se:
mulheres
com
bacias
na
cabeça,
crianças
com
bidões
de
20
litros
e
homens
com
motorizadas
a
carregar
galões
fazem
fila.
A
EMAE
-
Empresa
de
Água
e
Electricidade
-
tem
anunciado
cortes
programados,
mas
a
população
queixa-se
de
que
a
água
não
chega
há
dias,
e em
alguns
bairros
há
semanas.
"Acordo
às 4
da
manhã
para
ir
ao
chafariz,
se
não,
não
tenho
água
para
cozinhar",
desabafou
ao
Jornal
Transparência
uma
moradora
de
Praia
Gamboa.
A
situação,
que
tende
a
agravar-se
na
estação
gravana,
expõe
a
fragilidade
do
sistema
de
abastecimento
de
um
país
rodeado
de
água,
mas
com
sede.
Perante
a
crise,
especialistas
ouvidos
pelo
nosso
jornal
apontam
três
soluções
estruturais
que
São
Tomé
e
Príncipe
precisa
encarar
de
uma
vez
por
todas:
1.
DESSALINIZAÇÃO
DA
ÁGUA
DO
MAR
STP
-
É
uma
ilha
no
meio
do
Atlântico.
Países
como
Cabo
Verde
já
transformam
água
do
mar
em
água
potável.
Uma
pequena
central
de
dessalinização
na
zona
de
Água-Grande
poderia
aliviar
a
capital,
defendem
engenheiros.
2.
APROVEITAMENTO
DOS
RIOS
- Os
rios
Manuel
Jorge,
Abade,
Lembá
e
tantos
outros
correm
o
ano
inteiro
para
o
mar
sem
qualquer
barragem
de
captação
e
tratamento.
É um
desperdício
imperdoável,
num
país
onde
chove
mais
de
2000
mm
por
ano.
3.
ARMAZENAMENTO
DA
ÁGUA
DA
CHUVA
- A
solução
mais
barata
e
imediata.
Cada
casa,
cada
escola,
cada
hospital
poderia
ter
cisternas
para
captar
água
da
chuva
na
época
chuvosa.
É
uma
técnica
ancestral
que
Ruanda
e
outros
países
africanos
já
transformaram
em
política
de
Estado.
Para
o
Jornal
Transparência,
a
crise
da
água
não
é
uma
fatalidade
da
natureza,
é
uma
falha
de
planeamento.
Continuar
a
depender
de
uma
rede
obsoleta,
sem
alternativas,
é
condenar
a
população
a
viver
de
bidão
na
cabeça
em
pleno
século
XXI.
Não
há
um
plano
de
emergência
para
esta
época
gravana.
Enquanto
isso,
a
multidão
nos
chafarizes
continua
a
crescer.
Jornal
Transparência
- A
voz
do
povo.
