Meninas
de
14
anos
trocam
por
casamento
em
São
Tomé
São
Tomé,
01
de
Setembrode
2026
-
Em
distritos
de
Mé-Zóchi
e
Lobata,
adolescentes
abandonam
a
escola
para
casar
com
homens
mais
velhos.
Gravidez
precoce,
pobreza
e
silêncio
marcam
o
futuro
roubado
P
Aos
14
anos,
enquanto
outras
meninas
sonham
com
o 9º
ano,
"Ana"
(nome
fictício
para
proteger
a
menor)
já é
mãe
e
esposa.
Moradora
de
Trindade,
no
distrito
de
Mé-Zóchi,
ela
deixou
a
escola
no
ano
passado
depois
que
a
família
aceitou
o
pedido
de
um
homem
de
27
anos
que
prometeu
ajudar
com
cestas
básicas.
"Eu
não
queria
casar.
Eu
queria
ser
professora.
Mas
minha
mãe
disse
que
era
melhor
porque
não
tínhamos
nada
em
casa",
conta,
com
o
bebé
de 4
meses
no
colo.
A
história
de
Ana
não
é
isolada.
Segundo
dados
do
UNICEF
de
2024,
28%
das
meninas
em
São
Tomé
e
Príncipe
casam-se
antes
dos
18
anos.
Nas
zonas
rurais,
o
número
sobe
para
35%.
O
casamento
infantil,
embora
proibido
por
lei,
continua
a
ser
negociado
em
silêncio.
No
Centro
de
Saúde
de
Guadalupe,
enfermeiras
relatam
aumento
de
partos
em
menores
de
15
anos.
"São
meninas
com
corpo
de
criança
a
dar
à
luz
outra
criança.
O
risco
de
morte
materna
é
quatro
vezes
maior",
alerta
uma
técnica
de
saúde
que
pediu
anonimato.
Para
a
socióloga
Celisa
Costa,
a
raiz
do
problema
é a
pobreza
e a
falta
de
educação
sexual.
"A
família
vê o
casamento
como
alívio
económico.
A
menina
perde
a
infância,
a
escola
e a
chance
de
empoderamento.
É um
ciclo
de
violência
de
género
que
se
repete".
O
Ministério
da
Educação
reconhece
o
abandono
escolar
por
casamento
precoce
como
uma
das
principais
causas
da
desigualdade.
Em
2025,
mais
de
120
meninas
abandonaram
o
ensino
secundário
por
gravidez
em
São
Tomé.
"Mais
do
que
uma
Mãe"
significa
também
dar
à
menina
o
direito
de
ser
criança,
estudar
e
escolher
quando
e
com
quem
casar.
Enquanto
Ana
embala
o
filho,
o
seu
caderno
da
7ª
classe
continua
guardado,
cheio
de
sonhos
interrompidos.
JS-FIM
