São Tomé e Príncipe:
oposição permitiu aprovação
do Orçamento do Estado 2026
na generalidade

09.02.2026 - O OE e as
Grandes Opções de Plano
foram aprovados com 34
votos a favor, sendo 18
do MLSTP e dois do
Movimento Basta, ambos
da oposição, cinco da
coligação MCI-PS/PUN, e
apenas nove de deputados
do ADI, que detém
maioria absoluta de 30
deputados no parlamento.
Os partidos da oposição
são-tomense garantiram
esta sexta-feira a
aprovação do Orçamento
do Estado (OE), na
generalidade, dada a
falta de suporte do
partido maioritário, mas
avisaram que não se
trata de um “cheque em
branco” ao Governo.
O OE e as Grandes Opções
de Plano foram aprovados
com 34 votos a favor,
sendo 18 do Movimento de
Libertação de São Tomé e
Príncipe (MLSTP) e dois
do Movimento Basta,
ambos da oposição, cinco
da coligação Movimento
de Cidadãos
Independentes-Partido
Socialista/Partido de
Unidade Nacional (MCI-PS/PUN),
e apenas nove de
deputados da Ação
Democrática Independente
(ADI), que detém maioria
absoluta de 30 deputados
no parlamento.
A maioria de deputados
da ADI não estava na
sala no momento da
votação, e dois,
incluindo a
ex-presidente do
parlamento Celmira
Sacramento,
abstiveram-se.
“O país atravessa um
contexto político,
social e económico muito
complicado e que requer
de todos, sobretudo nós
agentes e atores
políticos, a maior
responsabilidade, maior
espírito de patriotismo
e sentido de Estado, por
isso o MLSTP decidiu
aprovar este Orçamento,
no seguimento da
rejeição que estávamos a
preparar relativamente à
moção de censura
apresentada na semana
passada”, declarou o
porta-voz do MLSTP.
Segundo Wuando Castro, o
MLSTP entende que não é
o momento para haver
Governo de gestão,
provocar eleições
antecipadas, nem para o
país “embarcar nas
crises políticas
habituais”, mas sim “de
consolidar Governos de
legislatura” e agendas
coletivas.
O voto a favor do
Orçamento “não implica
necessariamente dizer
que apoiamos este
Governo
incondicionalmente.
Continuamos a ser um
partido de oposição […]
não entendam como sendo
um cheque em branco”,
sublinhou Wuando Castro.
Posição idêntica
manifestou o Movimento
Basta, Levy Nazaré, que
sublinhou que “o país
está mal” está “com
muitas dificuldades, mas
todos são chamados a se
unir para debelar” a
situação evitando
agudizar a crise
política a poucos meses
das eleições.
“Decidimos votar
favoravelmente (…)
porque estes dois
instrumentos são
importantíssimos para a
vida da população”,
declarou Levy Nazaré,
sublinhando.A coligação
MCI-PS/PUN, apesar de
ter acordo parlamentar
com a ADI, do
ex-primeiro-ministro
Patrice Trovoada, que
tem contestado o atual
Governo, justificou o
voto favorável pela
coerência com o voto em
orçamentos
anteriores.“Nós somos um
partido com
responsabilidade, que
não quer travar o
desenvolvimento de São
Tomé e Príncipe”, disse
o líder parlamentar do
MCI-PS/PUN, Beatriz
Azevedo.
O primeiro-ministro
agradeceu aos partidos
pela aprovação dos
documentos que diz,
visam a melhoria das
condições da
população.“Temos a
consciência das
dificuldades, que é
preciso melhorar, mas
nós temos também o
sentido de
responsabilidade de
trabalhar para fazer com
que a condição do povo
são-tomense melhore”,
sublinhou o
primeiro-ministro
Américo Ramos,
acrescentado que o atual
OE permitirá ao
executivo continuar com
as ações do ano anterior
e lançar novas
iniciativas.
Na quinta-feira, na
abertura do debate, o
primeiro-ministro
defendeu que o OE e as
Grandes Opções do Plano
(GOP) para 2026
apresentam um quadro
macroeconómico realista
e respeitam compromissos
nacionais e
internacionais.
O chefe do Governo
são-tomense sublinhou
que o OE, avaliado em
cerca de 233 milhões de
euros (abaixo dos 265
milhões de euros
orçamentados para 2025),
“aposta no reforço da
arrecadação interna”,
mas “não através do
aumento cego e
desproporcional de
impostos”.Américo Ramos
assegurou que “a cesta
básica continua
protegida, com isenções
fiscais e controlo de
margens de lucro” e que
“os pequenos
contribuintes
continuarão a ser
protegidos”, pelo que
deverá pagar mais “quem
tiver maior capacidade
contributiva”.
O debate sobre o OE e
GOP decorreram em
reuniões convocadas por
28 deputados do MLSTP,
do Movimento Basta e
alguns deputados da Ação
Democrática Independente
(ADI), que dão suporte
parlamentar ao atual
executivo e que
destituíram a presidente
do parlamento, Celmira
Sacramento, na
segunda-feira.
A crise no parlamento
são-tomense começou a 27
de janeiro, levando à
suspensão da sessão pela
presidente, após
discussões acesas entre
parlamentares pró e
contra uma moção de
censura ao Governo,
apresentada por uma
parte de deputados da
ADI, mas que acabou por
ser retirada no dia
seguinte. O Presidente
são-tomense marcou as
eleições presidenciais
para 19 de julho e as
legislativas, regional e
autárquicas para 27 de
setembro.
