ADI retira moção de censura
ao Governo
de São Tomé e Príncipe

29.01.2026 - A Ação
Democrática Independente
(ADI) retirou hoje uma
moção de censura ao
Governo, inicialmente
agendada para discussão
na terça-feira, no
decorrer de uma reunião
plenária sem a presença
do executivo, que acusou
de se aliar com a
oposição.
"Percebemos que os
nossos planos, as nossas
estratégias cumpriram-se
[...] descobrimos de
forma mais que clara que
o Governo, MLSTP e o
Basta firmaram uma
aliança [...] "existe
uma máquina para colocar
o povo na pobreza,
manter na escuridão e na
miséria, com falta de
água e um conjunto de
situações", acusou o
líder parlamentar da
ADI, Nito Abreu.
O secretário-geral da
ADI, Elísio Teixeira,
sublinhou que a
apresentação da moção
serviu para o partido se
"demarcar por completo
deste Governo" e acusou
alguns elementos do seu
grupo parlamentar de se
venderem à
oposição."Temos
confirmação de que foram
ofertados a deputados
quantias de cerca de 10
mil dólares para que não
viessem à plenária,
desligassem os telefones
para que não houvesse
quórum", denunciou
Elísio Teixeira.
Teixeira garantiu que a
ADI, que elegeu 30
deputados, passa agora a
contar com apenas 23
deputados até ao fim da
legislatura.

O porta-voz do grupo
parlamentar do MLSTP,
Danilo Santos,
considerou que os
deputados da ADI
"ficaram com medo",
porque se aperceberam
que a moção iria ser
chumbada, e rejeitou as
acusações sobre
pagamentos a
deputados."É uma
acusação grave, mas quem
acusa deve ter o ónus da
prova. Tenho a certeza
que não fizemos
rigorosamente nada. O
país precisa de
estabilidade. Estamos no
ano eleitoral, não há
necessidade da moção de
censura", disse Danilo
Santos.
O deputado e presidente
do Movimento Basta, Levy
Nazaré, com dois eleitos
no parlamento, também
interpretou a retirada
da moção como um ato de
medo da ADI por perceber
que seria rejeitada pelo
parlamento."Nós não
aceitamos as coisas que
andam no país, as coisas
andam muito mal [...] eu
acho que quem introduz
uma moção de censura não
está a pensar no povo,
está a pensar nos seus
interesses e nos
interesses de grupos.
Iríamos votar contra sem
problemas nenhum, mas
não significa que
estamos satisfeitos com
o governo da própria
ADI", disse Levy Nazaré.
A moção de censura foi
retirada hoje cerca de
30 minutos após o
reinício dos trabalhos,
que foram suspensos na
terça-feira após
discussões acesas e
trocas de ameaças entre
deputados da oposição e
opositores à moção de
censura e os proponentes
da iniciativa.Na
terça-feira, a sessão
foi suspensa durante
horas, após uma denúncia
contra dois deputados da
ADI que estariam em
situações de
incompatibilidade, por
exerceram
cumulativamente outra
atividade remunerada da
Administração Pública.
Os deputados da ADI
proponentes da moção de
censura defenderam que a
questão deveria ser
analisada posteriormente
pela comissão
especializada, mas a
oposição insistiu que os
deputados em causa
deveriam abandonar a
sessão.

Sem acordo, a presidente
do parlamento suspendeu
a sessão, que foi depois
retomada pela maioria
dos deputados do MLSTP,
oito deputados da ADI, e
dois deputados do
Movimento Basta, sem a
presidente do
parlamento, Celmira
Sacramento, mas minutos
depois, já com os
membros do Governo na
sala, e quando o
primeiro-ministro,
Américo Ramos,
discursava em defesa do
executivo, um grupo de
deputados da ADI
interrompeu os trabalhos
e circulou pela sala
gritando, seguindo-se
trocas de ameaças e
vandalizações de
cadeiras e mesas.
A ADI, do
ex-primeiro-ministro
Patrice Trovoada,
apresentou na semana
passada a moção de
censura ao Governo
são-tomense por entender
que "não tem demonstrado
habilidade sustentável à
governação", disse à
Lusa o secretário-geral
do partido.
A iniciativa surgiu
também depois de o
Tribunal Constitucional
ter declarado
inconstitucional o
decreto do Presidente da
República, Carlos Vila
Nova, que demitiu o
anterior executivo, numa
decisão sem direitos
retroativos, ou seja com
efeito apenas para
futuro.
Estas são as imagens do
Debate Parlamentar sobre
Moção de Censura que
decorreu no 27 de
Janeiro de 2026, 50 + 1
anos 1975-2026 viva
Democracia...


