MLSTP faz “Estado da
Nação” e diz que economia
degradou-se e pobreza
aumenta em São Tomé e
Príncipe

04.01.2026 - O partido
da oposição são-tomense
MLSTP afirmou que a
economia do país
“degradou-se muito” e a
“pobreza tem aumentado”,
associando-se ao
“desemprego e falta de
esperança da juventude”,
mas prometeu ser
alternativa na
legislatura de 2026,
aumentando os apoios
sociais e o salário
mínimo para 4.500
dobras.
“O país enfrenta
igualmente desafios
políticos de boa
governação, da
estabilidade política e
de um sistema judiciário
funcional e imparcial”,
apontou o presidente do
Movimento de Libertação
de São Tomé e Príncipe
(MLSTP), denunciando que
“casos graves de má
gestão, falta de
transparência e
desperdício do erário
público são uma nova
normalidade nessa
legislatura”.
Na leitura de um
comunicado sobre “o
Estado da Nação”, na
terça-feira, 30, Américo
Barros criticou o setor
judicial, defendendo que
“a Justiça precisa de
fazer muito mais e de
ser mais proativa”, que
“não deve haver uma
Justiça para pobres e
outra para ricos”, e que
“as decisões da Justiça
não devem depender da
cor política”.
“O Estado Nação é hoje
marcado por incerteza
institucional, crise
económica, desemprego e
falta de esperança da
juventude, um sistema de
ensino cada vez mais
fragilizado, uma
contínua degradação dos
indicadores de saúde,
fruto de políticas
públicas desajustadas, e
uma Região Autónoma do
Príncipe relegada para a
marginalização”,
afirmou.
Américo Barros, que foi
governador do Banco
Central de São Tomé e
Príncipe e exerce
funções como quadro
sénior da instituição,
afirmou que nesta
legislatura, que começou
em 2022, as reservas
internacionais líquidas
do país situaram-se
“muito abaixo dos dois
meses de importação de
bens e serviços”, uma
“posição considerada
extremamente crítica”.
Disse ainda que as
finanças públicas são
caracterizadas por “um
baixo nível de execução
de investimentos
públicos e a redução de
crédito à economia”, o
que “tem condicionado o
crescimento económico”
do país.
O presidente do MLSTP
considerou a graduação
de São Tomé e Príncipe
para o grupo de países
de renda média-baixa, em
dezembro de 2024, como
uma decisão que “acabou
prejudicando o país,
visto que São Tomé e
Príncipe deixou de
receber determinados
donativos”. Para lá das
críticas, Américo
Barros, prometeu que, se
o MLSTP vencer as
eleições de 2026, vai
“resolver o problema
energético e a escassez
de água” que se tem
registado no país nos
últimos meses.
“Vamos dar incentivos
para a maior produção
agrícola, apostar na
economia azul e vamos
dar ao país um rumo em
linha com o modelo de
desenvolvimento
económico das ilhas
atlânticas em que a
contribuição do turismo
para o PIB varia de 17%
a 40%”, acrescentou.
Américo Barros disse
ainda que na legislatura
que se inicia em 2026,
“o MLSTP vai acabar com
o duplo isolamento” da
ilha do Príncipe,
“aumentar o salário
mínimo para 4.500
dobras” (cerca de 180
euros) e voltar a
implementar o Projeto
Famílias Vulneráveis
para contemplar 25 mil
famílias com ajuda
financeira de 2.500
dobras (cerca de 100
euros).
Lusa
