São Tomé alerta para
risco de desaparecimento
de manifestações
culturais

02.03.2025 -
O Presidente são-tomense
alertou hoje para o
risco de desaparecimento
de mais de uma dezena de
manifestações culturais
do arquipélago,
defendendo programas de
educação e
sensibilização para
"garantir a continuidade
destas tradições" e a
sua promoção nacional e
internacionalmente.
"Um dos maiores desafios
que enfrentamos
atualmente é a
preservação das nossas
manifestações culturais,
que, por diversos
motivos, têm caído em
desuso. Estas
manifestações, muitas
vezes relegadas ao
esquecimento, são
tesouros culturais que
umas já desapareceram,
mas podem e merecem ser
revitalizadas", alertou
Carlos Vila Nova.
O chefe de Estado
são-tomense, que falava
na abertura do "Mês da
Cultura são-tomense",
durante o qual várias
atividades serão
realizadas, defendeu
"programas de educação e
sensibilização que
envolvam as comunidades
locais, os jovens e os
especialistas em
cultura, para garantir a
continuidade destas
tradições".
Vila Nova considerou ser
"de extrema importância"
que se faça "um esforço
conjunto para
identificar, documentar
e revitalizar estas
manifestações
culturais". "A cultura é
um organismo vivo e
cabe-nos garantir que
não morra, antes
floresça e evolua.
Paralelamente à
preservação e
revitalização, importa
também cuidarmos da
promoção cultural. Com
efeito, a promoção da
cultura nacional é
igualmente crucial para
assegurar que a nossa
herança cultural seja
reconhecida e
valorizada, tanto a
nível nacional como
internacional",
sublinhou Carlos Vila
Nova.
Para o Presidente
são-tomense, "a promoção
da cultura nacional" não
só enriquece a
identidade coletiva, mas
também fortalece o
sentido de pertença e
orgulho, e "contribui
para o desenvolvimento
económico e social, ao
valorizar o turismo
cultural, gerar empregos
e incentivar a produção
artística e criativa".
"A iniciativa de se
consagrar um mês à
cultura nacional, que já
vai na sua décima
primeira edição, não se
traduz apenas na
exaltação das nossas
artes, tradições e
valores, mas é também, e
talvez sobretudo, a
assunção de um
compromisso com a
preservação e a difusão
do que nos torna único
enquanto povo", declarou
Vila Nova.
Para este ano, as
autoridades são-tomenses
dedicaram o mês da
cultura à poetisa Alda
do Espírito Santo, que
nasceu a 30 de abril de
1926 e foi hoje
considerada pelo
Presidente são-tomense
como a "nacionalista,
educadora, formadora de
gerações e um dos
expoentes máximos da
poesia nacional".
"A sua obra, que
transcende o tempo e
nossa geografia,
inspirou gerações e
reflete a alma do nosso
povo. Merece um espaço
de destaque nas nossas
comemorações. Estou
convito de que, durante
este mês, não apenas
celebraremos as
múltiplas formas de
expressão artística, mas
também honraremos a sua
contribuição inestimável
para a literatura e para
a identidade cultural de
nosso país", disse
Carlos Vila Nova.
A ministra da Educação,
Cultura, Ciência e
Ensino Superior de São
Tomé e Príncipe, Isabel
de Abreu, anunciou que
será realizada a
primeira Conferência
Nacional sobre Alda do
Espírito Santo, nos dias
29 e 30 de abril.
"O 19º Governo
Constitucional tem dado
passos significativos
para fortalecer o setor
cultural, incluindo a
criação de um quadro
legislativo robusto, que
é a atualização da Carta
da Política Cultural e a
submissão dos bens
culturais à Unesco para
reconhecimento como
património mundial.
Além disso, esforços
contínuos estão sendo
feitos para preservar o
nosso património
cultural imaterial,
garantindo que as nossas
tradições, saberes e
rituais sejam
protegidos, transmitidos
às futuras gerações",
declarou Isabel Abreu.
A governante adiantou
que o mês da cultura
visa, "reconhecer e
enaltecer o talento dos
artistas, fazedores da
cultura e empreendedores
criativos que, mesmo
diante dos desafios,
seguem firmes na missão
de preservar e
enriquecer" a identidade
cultural do arquipélago.
Lusa
